sexta-feira, 7 de maio de 2010

revisão da minha noção de arquétipos existenciais.

seguindo a lógica do curtis roads no início da obra microsounds, sobre síntese granular, quando este faz analogias entre conceitos filosóficos não muito obstantes do pensamento de autores como kant, deleuze, ou guattari, no que toca a estruturas, nomeadamente a planos micro e macro estruturais, e da sua relação com o universo da física, em particular do universo da síntese granular (porque a síntese granular só é possível a partir do momento em que temos tecnologia que nos permite decompor o som, que é algo completamente físico), os limites de qualquer estrutura encontram-se naquilo a que ele chama de infinite vs. infinitesimal (infinito contra infinitésimo). deste modo, venho pois rever a minha noção de existência, concluindo que a existência é um todo que compreende tudo o que está entre uma super-micro estrutura (acima do infinitésimo), e abaixo de uma super-macro estrutura (tudo o que se encontra abaixo do infinito). este todo encontra organizado em estruturas, que compreendem redes de planos micro e macro-estruturais, e que são geradas através da lógica da permutação, que está na base do princípio da dualidade em movimento.

domingo, 2 de maio de 2010

mundos e mundos

fernando pessoa dizia que a maior prova de se conseguir ser livre é conseguir-se enfrentar a solidão. não sou apologista da solidão como forma de estar na vida. no entanto sei que estar-se isolado do mundo, de tudo e de todos pode, por vezes, ser uma maneira de pormos cá fora coisas que de outro modo não conseguiria-mos por porque podemos usar a nossa imaginação e o nosso potencial criativo como forma de projectar-mos aquilo que somos e, de algum modo, de ajudarmos outras pessoas através daquilo que fazemos; ou também de nos reconciliar-mos, em certos momentos, conosco próprios e com o mundo. Mas quando a solidão se torna num processo auto-destrutivo, por sermos incapazes de gerir o nosso próprio mundo e aquilo que temos cá dentro e de repente sentirmos que os nossos desejos mais profundos se tornam nos nossos maiores inimigos, assim como aquilo que é o nosso mundo entrar em ruptura conosco, fazendo-nos escravos de nós mesmos, de repente sentimos que tudo e todos estão contra nós quando na verdade isso é algo que apenas se encontra na nossa imaginação, mas que acaba por se tornar uma realidade, por interferir no modo como nos relacionamos com outras pessoas, e como destruimos as nossas relações pessoais ao ponto de estarmos verdadeiramente sós, abandonados e entregues a nós mesmos e à nossa mente, e não conseguimos verbalizar, jamais, aquilo que se passa conosco, desde estados de profundos de sofrimento, a estados de felicidade extrema, a sonhos e ideais, etc., acabando-se isto tudo por se tornar numa amálgama que nos corrompe, sentimo-nos confusos, e tudo se torna mais difícil e mais complicado de gerir. porque se é mal interpretado, e não se consegue pensar no outro(a), neste caso em alguém que nos é próximo(a), independentemente de essa pessoa ser um conhecido, um estranho; um colega ou um amigo; um familiar ou alguém de quem gostamos muito. ou melhor até pensamos, é-se ou tenta-se ser humilde, só que estamos tão metidos conosco mesmos que por muito altruísta que se tente ser, no sentido de se por os outros como motivação para desenvolvermos o nosso trabalho e para sermos melhores a cada dia que passa como pessoas, para podermos contribuir com aquilo que fazemos, para a evolução da espécie, acabamos sempre por cometer os mesmos erros. as pessoas ficam magoadas conosco, e estamos sozinhos. e nisto somos escravos de nós mesmos. escravos de algo que projectámos para o nosso futuro e do nosso mundo mas que não faz mais do que nos corromper, de nos destruir e de destruir quem está à nossa volta e gosta de nós.

gestaltismo vs cartesianismo

na maior parte dos casos, para se resolver problemas complexos é necessário desconstruí-los em parcelas simples.. no entanto, a percepção do todo é sempre imprescindível